Quem sou eu?

Escritos de uma "Einstein" é um blog de uma jovem que cultiva a cada dia o dom de escrever. Cujos textos esboçam suas análises, críticas e por que não, devaneios. Afinal, de louco todo mundo tem um pouco! ;)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

ÉDIPO - solilóquio do último filósofo

                 

Um fragmento da história da posteridade.
O último filósofo, é assim que me designo, pois sou o último homem.
Ninguém me fala a não ser somente eu e minha voz chega a mim com a de
um moribundo! Contigo, voz amada, contigo, último sopro da lembrança
de toda felicidade humana, deixa-me ainda esse comércio de uma única
hora; graças a ti dou o troco à minha solidão e penetro na mentira de uma
multidão e de um amor, pois meu coração rejeita em acreditar que o amor
esteja morto, não suporta o arrepio da mais solitária das solidões e me
obriga a falar como se eu fosse dois.
Ouço-te ainda, minha voz? Cochichas praguejando? E tua maldição
teve de explodir as entranhas deste mundo! Mas ele vive ainda e só me fixa
com mais brilho e frieza de suas estrelas impiedosas, ele vive, tão estúpido
e cego como nunca foi, e um só morre, o homem.
E contudo! Ouço-te ainda, voz amada! Morre ainda alguém fora de
mim, o último homem, neste universo: o último suspiro, teu suspiro
morre comigo, esse longo ai! ai! suspirado em mim, o último dos
miseráveis,
Édipo!

- Por Nietzsche, em O livro do Filósofo.

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