Tudo na vida muda, os amigos mudam, a rotina não é nem de longe aquela que fora de costume na adolescência. Criam-se responsabilidades, novos aprendizados surgem, suas aspirações e desejos que um dia foi veemente defendidos não encontram mais vigor para serem conquistados.
A juventude é "divina", livre de questionamentos sociais polarizados e mergulhada num balançar de marés movidas por ilusões e Rock'n Roll (para aqueles que tem bom gosto º.~), crentes de um futuro ainda melhor do que o que está vivendo. A liberdade é sua bandeira e buscá-la é a maior de todas as conquistas, pelo menos para a maioria dos adolescentes.
Hoje, olhando pra lá... pro passado, vejo o quanto tudo era bom, era dramático!! Os jovens amam fazer tempestade num copo d'água, não é mesmo? Pelo meu tom parece que é uma mulher no auge dos seus trinta anos fazendo uma auto análise, mas não, mal sai da adolescência.. (risos).
Adoramos encontrar uma válvula de escape para extravasar todas as angústias, sentimentos. Bem eu conheci a música, especialmente um estilo em particular que até hoje é o meu predileto, juntamente com outros, um menos "popular" na sociedade latina, mas belo; música clássica. E amava desenhar, desde... Sempre! Era o meu universo, perfeito, uma carreira a perseguir e ser eficiente para ter minha própria vida. Adorava quando as pessoas admirava-os, mais ainda quando saia da sala de aula (era requisitada!) para participar da organização da ornamentação dos festivais do colégio. Mas só era isso mesmo, esporte era "um zero à esquerda"como popularmente todos dizem quando alguém é péssimo em uma atividade. Os anos ainda não me favoreceram muito nessa arte (gargalhada!).
Nunca fui rebelde, sempre responsável a medida do recomendável. Uma negação nas matérias de ciências exatas, porém fiz uma descoberta formidável, gosto muito das ciências humanas. Redescobrir a História, e tive um amor platônico pela Sociologia e Filosofia. A literatura entrou e ganhou seu espaço cativo, agradeço em especial a duas pessoas, Maíra e Maria Aparecida. Hoje é engraçado, pois, minha frase mais utilizada quando elas tentavam, em vão, fazer-me ler era "Não tenho paciência". Para quem conhece-me hoje pode até parecer mentira. Simplesmente o gênero ofertado pelas minhas caras amigas é o que menos me cativa; Romance água com açúcar. Depois de ler obrigatoriamente um livro de um escritor nacional à pedido da professora de língua portuguesa algo despertou, dizendo que aquilo não era tão ruim e se tinha paciência pra desenhar (realmente tem que ter paciência) teria que ter pra ler. Comecei, portanto, a caminhar com passos dúbios e incertos na direção da estrada mais rica; do conhecimento e da imaginação literária.
Gradativamente fui montando minha estante, hoje acredito ter lido uns setenta livros, mas lamento-me todos os dias por não ter começado a desbravar as páginas de grandes obras mais cedo.
Dos 15 anos à hoje, nos meus 22 percebo o quão ilusões decaíram, e os sonhos que foram moldados com o passar do tempo. Os questionamentos sociais despertaram à medida que descobria o sentido da sociologia, da antropologia. Agradeço ao professor Claudemar em especial, és um grande mestre e simples no seu modo de ser e viver. Tive um olhar mais crítico onde antes ainda existia resquícios da pureza infantil.
Então, outras possibilidades foram surgindo. Aos quais escolheria entre poucas algum tempo mais tarde. Hoje já cursando, o caminho da justiça; o Direito. Algo totalmente controverso com a utopia de outrora, mas ainda com seu lugar cativo, mesmo que não realizando-a, acredito que já perdi o traço.
A arte no seu aspecto amplo, mas principalmente o desenho e a pintura sempre estarão presentes e dignos de apreciação por mim, sempre com meus pintores preferidos.
O que pretendi no passado não muito distante não se faz apraz no presente atual, pois este ainda está a se desenrolar. Mas mesmo com todas as mudanças que é natural advinda da maturidade e do crescimento psíquico, o que aprendi ei de levar por toda a vida. São ensinamentos dos pais; de conhecidos e desconhecidos; na igreja (ao qual passei algum tempo e tive as maiores de todas as experiências como pessoa individual e cidadã); aprendi os valores que devem nortear todos e quaisquer indivíduo.
Os meus pés ainda estão a caminhar, quem sabe onde vão parar? Estou indo, e aprendendo a cada nova decisão, a cada emprego que ainda ei de pleitear, e pessoas que ainda se encontram no anonimato mas que são dignas de se prestar em diálogos.
Aos 60 anos direi melhor o que fora ilusão "ainda" e quão precipitada fui a desfazer sonhos ainda otimistas.
Eu no auge dos 15 anos ^^
Acredite, está foto ficou em um porta
retrato na sala por muito tempo!!
predileta ##