Quando observo que tudo quanto cresce
Desfruta a perfeição de um só momento,
Que neste palco imenso se obedece
À secreta influição de firmamento;
Quando percebo que ao homem, como à
[planeta,
Esmaga o mesmo céu que lhe deu
[glória,
Que se ergue em seiva e, no ápice,
[aquebranta
E um dia enfim se apaga da memória:
Esse conceito da inconstante sina
Mais jovem faze-te ao melhor agora,
Quando o tempo se alia com a Ruína
Para tornar em noite a tua aurora.
E crua guerra contra o Tempo enfrento,
Pois tudo que te torna eu te acrescento.
Desfruta a perfeição de um só momento,
Que neste palco imenso se obedece
À secreta influição de firmamento;
Quando percebo que ao homem, como à
[planeta,
Esmaga o mesmo céu que lhe deu
[glória,
Que se ergue em seiva e, no ápice,
[aquebranta
E um dia enfim se apaga da memória:
Esse conceito da inconstante sina
Mais jovem faze-te ao melhor agora,
Quando o tempo se alia com a Ruína
Para tornar em noite a tua aurora.
E crua guerra contra o Tempo enfrento,
Pois tudo que te torna eu te acrescento.
-William Shakespeare
Em loucura em loucura voz digo: “Sou de Vênus”. Entre vários astros que circundam nosso universo este é o que tenho maior paixão. E, você… qual é sua casa? Marte, Saturno… Terra? Ora, essa!! não seja tão “normal”.Um dia alguém lhe aponta com dedos acusatórios indagando-se “Nossa! como é louco (a)!”… (risos).
Um velho ditado existe dizendo “as mulheres são de Vênus e os homens são de Marte”(ou o contrário?). Tratando-se em alguns aspectos somos os avessos dos gêneros. Mas cá entre nós as familiaridades também existem. Talvez existam aqueles que gostariam de compartilhar sua terna companhia comigo. Gostaria disso, talvez você?
Há muito tempo minha espaçonave enguiçou aqui. Eu e minha família sem alternativa de retorno para nosso adorado lar fizemos pouso nesse “simpático” planeta, observamos os costumes e sua forma anatômica. Copiamos e nos interagimos com essa raça tão pitoresca. Com o tempo torna-se até natural compartilhar de suas manias e seus costumes regionais e um tanto “agressivos”. É uma epidemia, não tem como escapar e tudo parece impregnar nos seus modos!
Demasiadamente de meu gosto natural é substancial a maturidade dos atos, a regressão de pensamentos trazendo à tona movimentos vividos enaltecendo os acertos e buscando soluções para os erros. Nesta sociedade no entanto, é intrigante as alavancas que movem seus agires. Existe um sistema universal que conduz uma boa parcela desse contingente, uma seara está constantemente movida pela ansiedade, de querer viver bem, de ter coisas. A outra busca desesperadamente a aceitação dos seres divinos, atribuindo para a sua comunidade regras intrigantes e com impeto violento em suas regras.
Imagine-se viver num mundo assim! Meu mundo é fantástico. Com todas as constantes personalidades, mas mesmo assim divino. Ninguém aponta-lhe o dedo indicador porque alguém está parando no meio do nada olhando para o… tudo. Alguém está andando ao meio da natureza absolutamente sozinho, que maravilhoso. As mentes inquietantes são as mais formidáveis. Levando as nações seus sentimentos e todos a ouvi-lo sem desmerecê-lo. E não é capaz de atribuir para si um moralismo que não possui. Reverenciar a simplicidade faz parte de nossa natureza venezueana.
Gosto particularmente de nossa cor de pele… na verdade muda de acordo com os nossos prazeres… agora sou verde-mar. Transmutando somos capazes de realizar as proezas que permeiam nossos íntimos. É deveras confuso viver aqui, sinto-me um “peixe fora d’água”. Será que alguém ai compreende isto? Encontrar outro ser com a mesma sintonia é absolutamente … improvável ou ao menos raro. De vez em quando esse milagre é alcançado, mas infelizmente nem sempre duradouro. Imagino, pois, tal situação “um lugar lindo condensado em um firmamento límpido e pintado pela aurora, tingindo por pessoas ímpares e indispensáveis ao meu convívio em uma conversação superior e inquietante”. És uma miragem conseguida através de umas boas xícaras desse líquido maravilhoso que chamam de café. Uma coisa devo concordar, a culinária é espetacular.
Um dia se está a ler em um lugar dito público e os rostos que passam por você se fazem mister num movimento esquisito, no momento não entendi mas depois veio-me a mente que estavam a estranhar! Os jeitos que a eles são racionais a mim são estranhos. Deveras é natural a uma mulher usar biquíni na praia, mas falta de pudor apercebe-lhe usando calcinha e sutiã! Ora, vamos! E, não são a mesma coisa! Muitas vezes percebo essa confusão no que seja proibido, aceitável ou mesmo de direito. É um paradoxo interminável. Será que o livre arbítrio concede isto através da proclamação dos pensamentos?
Conversar com alguém do sexo oposto, já está namorando. Concordar com alguma coisa, é “maria-vai-com-as-outras”, “puxa-saco” (em relação a este ultimo termo, muitas vezes ele é cabível). Discordar, “x-9″, automaticamente expulso de qualquer vínculo. Portanto, muitos comportamentos são regidos pelo furor dos sentimentos, ou como prefiro, de costumes que há muito estão disseminados e por nada são largados. Gosto muito de seus dizeres, de alguns pensadores drasticamente formidáveis. Um dia, pois, quem sabe descobrirão e se aperceberão diante da infinitude. Não seja a morte sua algoz, mas sua linha de chegada. Um percurso inteiro está na frente para que se limita às razões outorgadas pelos seus co-cidadãos. Devo, voltar para o meu lar e sentir-me outra vez familiarizada e regojizar-me na presença de meus amigos martinianos, e vizinhos jupterianos. Abraços para todos aqueles que aqui ficam, mas não limitados como outrora.
Congratulações.
Meu voo está saindo…
"Casa"

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