Quem sou eu?

Escritos de uma "Einstein" é um blog de uma jovem que cultiva a cada dia o dom de escrever. Cujos textos esboçam suas análises, críticas e por que não, devaneios. Afinal, de louco todo mundo tem um pouco! ;)

sábado, 18 de julho de 2015

A VIDA é relativa "?"

Numa bela e acalente noite fria tudo é místico, foco meus olhos além da janela aberta e consigo ver tudo, uma paisagem atroz, nada é ritmo, tudo é límpido. Nesses momentos fugazes, nada é mais doce do que a solidão que me faz companhia, sobressaltando apenas a volitiva vontade de lhe ter comigo. A chuva que cai lá fora apenas nutre a sensação de ser aquecida e sentir, sobressaltada, o arrepio de estar vivendo uma cena utópica.

A sensação de querer estar numa típica cena de filme romântico é a ânsia de boa parte de nós, mulheres, e porque não também arriscar deles, os homens. Incrivelmente, eles, não são do tipo que costumam expressar tais desejos, são muito raros, e às vezes tenho a sorte de encontrar alguns destes. Porém, nem tudo são flores e as fantasias apenas ficam no campo da "intocabilidade".

No tocante a isto, é paradoxal o mundo e nossas interações dentro dele. Veja, como simplesmente não existem fórmulas matemáticas na vida, ela simplesmente acontece. É o único campo que as exatas perdem para as humanas - tudo é relativo e nada têm sua regra.  

Tudo o que é fático é passageiro e nossos pés sempre querem ir mais longe, tentando sentir novos pisos - sejam eles macios ou pelos crivos das pedras. Afinal, o que importa são os risos, as lágrimas ou a nostalgia das lembranças. Prefiro, hoje, tentar sorrir a  chorar, e ser esperançosa à pessimista. Pois o que se refere a outrora, já se foi. E o horizonte é apenas uma questão de conquista.

Chego a transgredir meu próprio objetivo do que seja bom, digo a tentar compulsivamente auto sabotar-me, digladiando em pensamentos que "não pode ou deixa pra depois". Prefiro ser o agora do que aquela metamorfose ambulante...  o que seria se metamorfosear? como isso pode ser bom e construtivo? Até que ponto não podemos considerar como um medo errante de se fixar? Teria um prazo e sendo apenas um fator da juventude, do ímpeto de viver por aí?... Cada um é cada um! Dentre as alternativas  e  encontram uma conciliando tudo o que lhe faz vivo com as obrigações diárias.

Espero, eu, conseguir trilhar planos... Apesar da árdua vida profissional que escolhi. Mas quem disse que não há efervescência no dia a dia?! Prefiro e pretendo saborear coisas vivas e coloridas, sem ter que coibir o ser vivo que há aqui, sem esquecer de que as escolhas sempre vão existir e são necessárias, mesmo quando pegamos os atalhos.

Transmutemos a coisa em si, pois a felicidade é apenas uma questão de ponto de vista.

Boa noite!... Ou bom dia... boa tarde... Afinal, tudo é relativo.  ¡ Hasta luego !



sexta-feira, 3 de julho de 2015

Anne Frank - a menina que sonhava ser jornalista

"Quero continuar a viver, mesmo depois de minha morte! E por isso agradeço a Deus que me deu esse dom, essa possibilidade de me desenvolver e escrever, de saber expressar tudo o que há em mim." 
Anne Frank, 1944 

É com singela emoção que devo iniciar meu pequeno texto dizendo que essa citação acima é uma das últimas que está no livro O Diário de Anne Frank. Nela existe o luminar de uma esperança que cresceu e reluziu na expectativa de após mais de dois anos de  privações, sem o convívio com amigos e familiares, na absoluta "prisão", tendo como únicas pessoas à dedicar uma palavra - seus pais e irmã, o casal Van Daan e seu filho Petter, o sr. Dussel, e alguns poucos empregados do escritório, o qual foram fundamentais para garantir a sobrevivência de todos naqueles anos de clausulamento. 
No início de sua narrativa, Anne como uma garota ainda nos seus 13 anos, livre e cheia de gracejos, narra suas aventuras com uma clareza surpreende. Nesse período vive a impetuosidade da juventude, sapeca e sem meias-palavras, vista como "super ativa" e "tagarela", como ela mesma acredita que todos acham. Narra com proeminentes detalhes sua personalidade, com particular desenvoltura em sala de aula, porém com retração no convívio com sua mãe. Os relatos dos "problemas" com sua mãe segue em todo o livro, dizendo Anne que "não tinham nada em comum". 
Com o início da perseguição nazista aos judeus, e com a crescente ameaça de serem todos conduzidos a lugares ainda incertos, a família esconde-se. A partir deste momento, Anne escreve em seu diário com mais afinco, despejando através das palavras as angústias, discussões, confusões sentimentais, e claro - a esperança que vinha através de notícias no desenrolar da guerra.
Cada fato novo era motivo de profundas discussões, e cada novo anúncio de avanço nazista decaíam a fé de estar a sentir de novo o calor do sol ao andar livremente pelas ruas e no vento a trepidar nas folhas das árvores. Isto é o que Anne descreve em seu diário, não com essas palavras, mas diz a importância e o valor que dá naquele momento de apreciar a natureza. O quão bela ela é, mas que antes não percebera.
A evolução de Anne é incrivelmente absorvida por quem lê o livro. Senti em cada palavra escrita a sua humanidade. Não são palavras fictícias, mas vividas! Ali, presa dentro do prédio, ela "se tornou moça", digladiou com seus próprios sentimentos - em relação a mãe; a dificuldade de viver continuamente com pessoas sem poder bater a porta à suas costas e sair pra espairecer a cabeça; de ser "má interpretada e má entendida"; de ora somente ter para comer espinafre no café da manhã, espinafre refogado, sopa de espinafre... Racionando tudo quanto fosse possível, mas mesmo assim, comemorando os aniversários de todos, dando uma roupa ou mesmo um alimento qualquer. 
Ali, Anne esteve as voltas com o primeiro amor - Petter. Uma amizade que crescera com a doçura da inocência e da sensação de se sentirem sós. Juntos deram seu primeiro beijo e juntos compartilhavam longas conversas noturnas. A descrição dos fatos são poéticos apesar do contraste que o Diário nos proporciona, pois ali há exposição das variações de sentimentos de sua autora - curiosidade, alegria, raiva, cólera, mansidão ...
O diário de Anne era como se fosse sua amiga, sua "melhor amiga" Kitty. Nele não existe a famosa frase "querido diário", mas "Querida Kitty". E é por isso que sinto mais propensa simpatia por Anne, pois sua inteligência é perceptível, e quando foge aos padrões denota ainda mais sua singularidade. 
Ela seria uma pessoa formidável se não tivesse ido tão cedo, aos 15 anos de idade. 
Passou dos 13 ao 15 anos no abrigo com sua família, distante dos prazeres das ruas e das trivialidades do dia a dia, mas sem perder a alegria. Era uma estudiosa, e em vários momentos diz " preciso ir estudar, Kitty" ou "hoje, estudei genealogia" etc. Mesmo com a condição que lhes eram impostas, o estudo nunca pôde ser negligenciado, e o retorno à escola era sempre projetada - supondo-se o mês a partir do desenrolar das novidades que lhes chegavam. 
Tinha como um constante gosto inventar histórias e dedicar à seu pai - em aniversários ou outra data comemorativa. Descrevia seus personagens, e sua ambição era sempre por aperfeiçoá-los, e assim conduzir à novas e formidáveis aventuras - seria uma jornalista
Anne, assim como outros jovens que morreram no holocausto tinham sonhos, e fé de que tudo acabaria bem. E é em homenagem a eles que digo e enfatizo de que este não é um livo qualquer e merece ser lido.
Milhares de judeus morreram em detrimento de um ideal racista medonho, cujo único fruto foi a degradação da evolução humana. E fazendo com que surja na minha mente a indagação: Do que ainda seremos capazes?

Rayana Cavalcante