No peitoril da janela próxima estava um livro aberto; o vento, quase imperceptível, agitava-lhe de vez em quando as páginas
- O morro dos ventos uivantes, p. 197.
Antes dos preâmbulos da história, vamos iniciar com uma estória...
Em meados de 2015, isto mesmo, do ano que ainda se segue, mais precisamente em fevereiro, recebi de uma grande amiga um presente - um livro. Aliás, amo recebê-los (isso mesmo, é uma dica! Acho que posso deixar meu endereço, não é mesmo? caso alguém ai, uma boa alma queira presentear-me, risos. Opa! vamos voltar ao contexto).
Bem, recebi um livro do qual ela mesma já havia comprado muitos meses antes com a promessa de sê-lo meu, porém, decidiu ela, ler primeiro. Aí caros leitores, foi um bom tempo até me agraciar de sua presença. Quando o recebi, foi uma sensação inigualável assim como com todos os meus filhos... A Batalha do Apocalipse, Heresia, Cilada, O diário de Mary Berg... E, vários outros amados.
No entanto, O morro dos ventos uivantes, deu-me sensações ainda não conhecidas, pois aquela lenda de que não olhamos a capa mas apenas o conteúdo, é mentira! Devo descreve-lo à vocês.
A edição é da Editora Abril Coleções, Clássicos, vol. 23, encadernação em capa dura e coberto por tecido negro, com pequenos desenhos em único tom cinza, assim como o nome de sua autora Emily Bronte, e claro, o próprio título.
Tinha em mim uma euforia tamanha, mas só consegui lê-lo quatro meses após sua chegada. Neste meio tempo minha querida amiga vinha me adiantando o seu desprazer na história, ressaltando a linguagem densa, e em personagens desapaixonantes. E, sempre me indagando o porque de querer ler tanto esse livro, deixando emergir um desafio - LEIA E QUERO VER SE VOCÊ VAI MESMO GOSTAR!
Pois bem, li.
Em junho do mesmo ano, enfim me despus a colocar minhas energias em lê-lo o mais depressa possível, pois existiam outros que também estavam na fila. Quando o peguei definitivamente e me debrucei na minha cama, já havia lido algumas páginas em ocasiões diferentes, mas a partir daquele momento era pra valer.
Confesso à vocês que custei a entrar na história, e mais, a sentir empatia. Você lê 10, 20, 30, 40, 50, 60 páginas... Ai pensa, " não é possível! tem que haver alguma coisa que me prenda!". A tradução do livro é num português realmente mais "fechado" e não muito dinâmico. Têm que realmente ter disposição para ler com paciência, por que não é um best seller de acordo com as características dos dias atuais, mas sim, uma literatura com muitas décadas e com uma linguística densa.
Os personagens centrais, "os apaixonados", não apresentam as características peculiares do mocinho e da mocinha, pelo contrário, ela (Catherine) é mimada e até cruel às vezes, com uma dose de auto centralismo e metódico gosto em desprezar pessoas e depois querê-las ao seu lado - diria um tanto quanto, bipolar.
Ele (Heathchcliff), criado pelo pai de Catherine, realiza as mais árduas tarefas, mas sempre com aquele olhar feroz. Não conseguindo viver assim, e também por desilusão em relação a Catherine, fugiu. Após muitos anos retornou, e consigo, veio o mesmo ímpeto feroz. Fez de tudo para conseguir a propriedade do seu antigo lar,e também de reaproximar-se de Catherine, mas é aí que está as características loucas dessa história de amor, se é assim que se pode denominar. Os mesmos nunca conseguiram fazer as pazes e muito menos se amar, apenas houve discórdias, tormentas, infelicidades, que se alastrou para os descendentes de ambos.
É uma história com raras ocasiões de palavras doces e amorosas, mas majoritariamente de palavras duras, falsas e tolas. Não recomendo para àqueles que esperam um lindo romance tipo Nicholas Sparks. Mas, recomendo a àqueles que querem um desafio, assim como eu quis, e no final, vai perceber que valeu a pena, porque a mim, valeu. Pois no fim, preconceitos se desfizeram e soluções foram encontradas, e chances foram enfim, aproveitadas.
Este pequeno texto não é uma crítica em si, está mais para "dê uma chance a história". Afinal, as linhas sempre podem ser abandonas, mas a chance, essa talvez seja única.
Rayana Cavalcante.
Meu livro.
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